Personalidades · Império

Libero Badaró

Falecido 1798–1830

João Batista Libero Badaró, Médico e jornalista, nasceu em 1798, em Laigueglia, pequena vila do Ducado de Gênova, que então formava a República Ligura, e morreu em S. Paulo (SP) em 21-11-1830.

De elevada origem, sua educação não foi descurada, aprendendo latim, francês, inglês e filosofia, para seguir a profissão de médico, conferindo-lhe as universidades de Pávia e Turim o título de doutor.

A fisiologia, a zoologia e a botânica mereceram-lhe a preferência em suas contínuas investigações, escrevendo vários opúsculos conhecidos na Europa.

Em 1862, veio para o Rio de Janeiro onde, por dois anos, continuou seus estudos de botânica, merecendo-lhe análise especial a família dos “Convolvos” e dos “Fetos”, dos quais colecionou e desenhou muitas espécies, no intuito de, sobre eles, publicar uma monografia.

Nos primeiros meses de 1828, mudou-se para S. Paulo, hospedando-se, por algum tempo, na residência do Dr. José da Costa Carvalho à Rua do Ouvidor), indo depois, morar à Rua de S. José num prédio térreo, em frente a atual Rua Dr. Falcão Filho.

No ano de sua chegada a S. Paulo foi iniciado o primeiro ano do Curso Jurídico no Brasil e, por falta de docentes habilitados, ofereceu-se para reger, gratuitamente, a cadeira de geometria. Ardente defensor das liberdades públicas, fundou o Observador Constitucional, o segundo jornal editado na Província, onde, homem de luta, sacrificava tudo pela ideia, fazendo “com moderação e decência soar por toda a parte o grito da Lei, da Ordem e do dever”, tornando-se o pesadelo dos adversários.

Governava a Província o vice-presidente, D. Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, português, ligado aos círculos absolutistas, e a justiça imperial era representada pelo ouvidor da comarca, Cândido Ladislau Japiaçu de Figueiredo e Melo, indivíduo odioso à população de S. Paulo.

Estes, e outros funcionários públicos, sofreram mais ou menos enérgicas censuras em “O Observador Constitucional”. O Imperador D. Pedro I, já em fins de 1830, agredido pelo partido político que, desde então, preparava o 7 de Abril, sofria, igualmente, os ataques daquele jornal.

A excitação de ânimos havia alcançado grande intensidade e o espírito público debatia-se nos pródromos de iminente revolução.

Foi, sob essa tensão, que, pelas 22 horas da noite do dia 20-11-1830, um tiro de pistola foi disparado contra Líbero Badaró, que se recolhia à sua residência. Vinte e quatro horas depois expirava, proferindo estas palavras, que se tornaram célebres: “Eu sei que vou morrer! Morre um liberal, mas não morre a liberdade”.

A cidade de S. Paulo viveu, a partir de então, até o dia 24, no mais completo sobressalto, tendo a população cercado a residência do ouvidor que, em consequência de um boato previamente preparado, conseguiu escapar para a morada do governador das armas, onde esteve escondido até às 14 horas, quando, a cavalo, em companhia do capitão Amaro José Soares, seguiu para Santos, embarcando, no Cubatão, com a família, em uma canoa de voga.

Na Corte sofreu um processo, sendo absolvido.

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Libero Badaró por Tancredo do Amaral (1895)

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